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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Educação: É preciso repensar nossos modelos.




Educação: É preciso repensar nossos modelos.

No Brasil algo importante
Acontece ultimamente
Os meninos e meninas
Quase que precocemente
Estão indo pra escola
Estudar pra “virar gente”

Assim que o bebê nasce
A mãe lê literatura
E quando ele vai crescendo
É banhado na cultura
E assim a sua vida
Fica livre de amargura

E quando ele vai à escola
A vida ganha sua cor
Convive com coleguinhas
E também com o professor
Numa rotina recheada
De conhecimento e amor

Eu sou professora sim
Por amor à profissão
Cordelista por esporte
Faço com dedicação
Escrever e dar minhas aulas
Transformaram-se em paixão

Apesar da situação
Que acomete à educação
Os professores unidos
Dando a colaboração
Podem ampliar as chances
De uma recuperação

Mas é preciso também
O governo se esforçar
Investir nos professores
E assim condições de dar
Pra que eles deem suas aulas
De forma espetacular

Sem precisar de cedinho
Sair para trabalhar
E de lá pra outro emprego
Ir correndo sem almoçar
É assim que o professor
Faz para se sustentar

Não concordo que a escola
Seja a chave do problema
A família envolvida
Pode acabar como dilema
De ter jovens sem estudo
Pois isso não vale à pena

Vamos pensar bem unidos
Numa boa solução
Estar sempre trabalhando
Pelo bem da educação
Pois só ela é o caminho
Para uma grande nação

segunda-feira, 1 de março de 2010

Hoje, depois de muuuuuuuitos dias sem escrever neste espaço, volto com uma mensagem linda que recebi do meu amigo Valter. Pra variar, ele sempre manda coisas maravilhosas... Boa semana para todos nós!





É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO?


Pense nos melhores momentos da sua vida: você estava
sozinho ou acompanhado?

Alimentar muita expectativa é o caminho mais curto
para a frustração. Mais uma vez a máxima se confirmou:
fui assistir a Amor sem Escalas, o badalado filme do
mesmo diretor do excelente Juno, e não fiquei
impactada como se prenunciava. Achei bom, apenas. Tem
alguns diálogos espertos e uma inversão de papéis
inusual (no que se refere a relações entre homens e
mulheres), mas, apesar do frescor que Jaison Reitman
imprime a seus filmes, desta vez ele por pouco não
escorregou pro sentimentalismo barato. Dentro do mesmo
tema - é possível ser feliz sozinho? - prefiro Estrela
Solitária, de Wim Wenders, que tratou sobre o
isolamento do ser humano com muito mais poesia e beleza.

Ainda assim, uma frase me marcou. "Pense nos melhores
momentos da sua vida: você estava sozinho ou acompanhado?".

Pode não ser comum, mas há pessoas que não têm nenhuma
vocação para constituir família, e nem por isso merecem
a cadeira elétrica. Eles simplesmente preferem estar em
movimento, não ter amarras, e essa liberdade cobra um
preço que, se costuma ser alto para a maioria, para
outros pode ser uma dívida fácil de quitar.

Eu bem que gosto de ficar sozinha. Já tive ótimos momentos
comigo mesma dentro de um trem, em frente ao mar, lendo um
livro. Mas reconheço que os momentos sublimes, aqueles
eleitos como inesquecíveis, aconteceram quando eu estava
"avec". Reconhecer isso não faz eu desprezar a solidão,
mas me impede de adotá-la como estilo de vida permanente.

Sozinha eu posso ser mais livre, mas não sou desafiada.
Compartilhar a vida com alguém exige participação: a gente
é impelido a se manifestar, a traduzir em gestos e palavras
o que estamos sentindo, e isso engrandece o momento, cria
vínculo, avaliza o que está sendo vivido, confere magia ao
instante, credibiliza aquilo que está nos deixando
emocionado.

Não precisa ser um momento repartido apenas com seu grande
amor: pode ser também com os pais, com um irmão, um amigo,
até mesmo com desconhecidos. Quando se olha nos olhos dos
outros e se compreende o que se está passando, a sintonia
se dá, mesmo silenciosa. Lembrei de Scarlett Johansson
sozinha num bar de hotel em Tóquio, percebendo o também
solitário Bill Murray tomando seu uísque, em Encontros e
Desencontros. A secreta comunicação do olhar entre ambos
dava sentido ao que não havia sentido algum.

Pode acontecer entre dois, e também pode acontecer entre
muitos. Um estádio de futebol lotado, com a massa gritando
pelo mesmo time. Um show vibrante, todos cantando a mesma
letra. Imagine se o espetáculo fosse exclusivo pra você:
que graça teria?

Estando sozinhos, a sensação interna sobre o que está sendo
vivido é quase triste, mesmo que não seja.

Juntos, até o que não parece alegre, fica.



Martha Medeiros

(21/02/2010 – Revista do Jornal O Globo)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Texto sobre Literatura infato Juvenil

LITERATURA INFANTO JUVENIL: UM PASSO PARA LER E ESCREVER

ÉRICA MA S. MONTENEGRO DE MÉLO
erica9400@yahoo.com.br
ericamontenegrocordelista.blogspot.com.br


A literatura, assim como as outras manifestações da cultura popular como as danças, a culinária, artesanato e tantas outras produções são o patrimônio de um povo. No Brasil, é possível falar da riqueza da cultura popular em todas essas representações que vão desde a linguagem oral e suas variações dialetais até a escrita literária, que chega ao povo através das músicas, livros, folhetos de cordel, cantorias e outros muitos. Assim, os livros de literatura infanto juvenil que trazem contos, poesia, fábulas, crônicas e outros gêneros estão vivos nas mãos dos estudantes graças ao trabalho realizado pela escola, apesar de suas muitas limitações.
O livro de literatura infanto juvenil tornou-se elemento significativo para a escola, especialmente para o desenvolvimento das competências para ler e escrever através de sua utilização nas práticas de letramento. Os livros infanto juvenis, geralmente ricos em imagens e feitos com materiais cada vez mais variados, são um misto de fantasia e realidade, objetos onde o impossível se torna real a partir da leitura que percorre a imaginação do leitor. Esses livros têm sido inseridos no contexto escolar a partir de atividades voltadas tanto para a formação do leitor crítico e independente, como também sob a intenção de inserir ou resgatar aspectos lúdicos ligados à fantasia, cada vez mais vista como objeto perdido, haja vista a facilidade e avanços tecnológicos que limitam a criatividade das crianças e adolescentes.
Assim, a leitura na escola tem um significado pitoresco para o leitor, especialmente para as crianças, como aponta Cagliari (2001 p. 151):

Diante das mesmas histórias, certas crianças ficam revoltadas, outras apavoradas, outras ainda acham graça e algumas até não entendem o fantástico. Cada uma lê a seu modo, e isso não é mal, mas é o que deve acontecer, e a escola deve respeitar a leitura de cada um.

Cientes da importância da leitura para a formação do sujeito autônomo, crítico e criativo, encara-se a leitura e a contação de histórias como marcos na formação do leitor, e desde a infância constituem-se como importantes elementos para o fazer pedagógico em todos os níveis do ensino. Assim, a leitura de livros infanto-juvenis tem norteado o trabalho de muitos professores pois ao mesmo tempo em que despertam o gosto por esse hábito, ampliam a construção de competências para a vida prática, expressas pela escola sob os processos que desenvolvem a aquisição da linguagem escrita a partir do letramento e da alfabetização escolar.
A magia da leitura literária invade a vida das crianças numa idade ainda tenra e, muitas vezes pode acompanhá-la para a vida toda. Professores selecionam com cuidado os livros a serem lidos em sala de aula, e utilizam estratégias diversas para a contação ou leitura das histórias. Nas últimas décadas, e atualmente é comum observarmos o quanto a utilização deste gênero aumentou nas escolas, e ainda será mais frequente quando a literatura infanto-juvenil receber do MEC um lugar mais altruísta em seus referenciais curriculares. Apesar das campanhas de distribuição de livros, ainda é limitado o número de escolas que contam com Bibliotecas e, nessa situação, só mesmo o esforço dos professores e da comunidade escolar para criar parcerias que levem a sério o poder e a importância da leitura para a vida do ser humano. Destacam-se assim, a criação de cantinhos da leitura, gibitecas,
Coelho (1987) nos chama a atenção para a necessidade de levar a literatura para a escola, mas com certo cuidado para que este gênero não ganhe estatuto “conteudista” e seja escolarizado, o que poderia fazer com que perdesse algumas de suas principais atribuições, tais como encantar e contar. Nesse sentido, percebe-se que, nas propostas curriculares de livros e outros documentos levados à sala de aula para a construção de competências para ler e escrever, sempre há atividades que se realizam a partir das leituras de livros infanto juvenis, mas é preciso lembrar que o hábito de ler livros não deve estar condicionado ao ambiente escolar. Essa é uma questão interessante para ser pensada por pais, professores e por toda a sociedade, já que a figura do livro de literatura infanto juvenil vem assumindo papel de destaque nas listas de material escolar, assim como tem seu lugar garantido na falta do hábito de ler e falta de prazer nisto, pelo que consta ser sua função primordial. A leitura passa a ser tratada apenas como atividade para um fim específico, o de aprender, e esta, é na certa uma das muitas formas de distanciar ainda mais o estudante do mundo da leitura como um prazer, sem fins determinados, mas determinantes para sua vida em todos os aspectos ligados ao afetivo e cognitivo.
Diante deste paradigma, a literatura emerge como um elemento a mais na socialização e aquisição do conhecimento, ainda mais intensamente com o advento das práticas de letramento, e nesse contexto, os gêneros literários, tais como os livros, áudio-books , gibis, cordéis passam a desempenhar o papel de intermediários nessa construção de conhecimentos e na dinâmica de relações.
Nesse sentido, os professores passam a desempenhar cada vez mais, o importante papel de leitores e ledores, haja vista constituírem-se, pelas relações de transferência e afinidade com seus alunos, modelos para o espelhamento, também no que diz respeito à leitura. Por esse motivo, é importante que sejam encaminhados à sala de aula, e para as escolas, materiais e orientações pedagógicas na tentativa de ampliar e ratificar a prática da leitura por prazer nas escolas das redes públicas ou privadas, primordialmente desde as turmas de educação infantil, nas quais a ênfase na leitura é um elemento capaz de desenvolver não somente o hábito, mas especialmente o prazer de ler. É enquanto se lêem histórias para crianças ou adultos que se percebem olhares atentos, perguntas inquietas e isso nos remete a pensar sobre como professores e crianças vivenciam a leitura das histórias, seja em casa, seja na escola. Configura-se assim, a literatura como fonte de prazer e de descobertas maravilhosas sobre o mundo que nos cerca, sempre com sua efetiva contribuição para o resgate da fantasia, e subsidiando a construção dos processos de aquisição da linguagem escrita por meio da alfabetização e do letramento sistematicamente.
Diante dessa discussão, as ações que trabalham com a leitura e contação de histórias devem se propor a ressignificar o trabalho com essa habilidade a partir de livros diversos, cordéis, música e outros, tendo-os como norte para a formação do leitor crítico e autônomo. Essas práticas tem o poder de oportunizar o desenvolvimento da autoria, incentivando o surgimento de novos escritores que se arrisquem a criar e não limitem-se a copiar, conectando o pensamento de professores e demais membros da comunidade escolar e focando na criança e no jovem as atenções em torno de um novo lugar para a leitura e a escrita.
Importante ressaltar que enquanto professores, somos também pesquisadores e devemos nos preocupar em fazer de nossos alunos, sujeitos questionadores, atentos ao mundo que o cerca e suas inúmeras possibilidades, por isso, incentivar o habito de ler na escola é abris as portas para um mundo que poucos conhecem, mas que é extremamente importante para a vida em uma sociedade grafocêntrica como a nossa: o mundo da leitura.
É preciso, ainda, desenvolver a investigação contínua das representações dos leitores acerca desse mundo, discutir sobre o que essas leituras têm despertado em cada um, que impactos podem ter na aquisição da linguagem escrita e na formação desse sujeito que, de ouvinte, pode assumir a função de leitor e escritor. Por isso, é preciso Incutir nas crianças e nos professores a vivência cotidiana de leitura sem fins específicos, por prazer mesmo e só assim, acreditando nessa força, teremos sim, um país de leitores e quem sabe, de escritores, que vejam nesse hábito uma fonte de saber, de diversão e de prazer, não somente na escola, mas em todos os capôs de sua vida.
Para que essa tópica deixe de povoar apenas nossa imaginação, alguns objetivos tornam-se fundamentais para a implementação de políticas voltadas para a aquisição do hábito de ler, tais como: subsidiar os professores para o trabalho diversificado com a leitura em fontes diversas, tais como livros, obras de arte, gibis e literatura de cordel desde as séries iniciais do Ensino Fundamental; Observar o envolvimento das crianças em atividades onde sejam realizadas leitura e contação de histórias por adultos; Ampliar o repertório de leitura das escolas; Registrar as atividades cotidianas através de textos, escrita de outras histórias, vídeos, fotografias, relatórios, etc.; Identificar qual gênero literário é mais apreciado pelas crianças, através de pesquisas, apontando quais precisam ser melhor divulgados para ampliar esse gosto pela leitura diversificada; Recolhimento dos registros feitos pelas crianças a partir das leituras realizadas; Analisar quais momentos de leitura influenciam a aprendizagem da criança no que tange aos processos de alfabetização e letramento, diagnosticando junto aos professores os avanços propiciados pela leitura de histórias na formação do leitor; Criar e monitorar a circulação de acervos ambulantes pelas escolas ou pelas salas de aula e entre os alunos, gerenciando essas atividades para que girem em torno de leituras de gêneros diversos, corrigindo falhas e suprindo as possíveis dificuldades.
Diante das diversas possibilidades de trabalho com a os gêneros textuais, o que é realizado com a leitura e contação de histórias encanta as crianças pela maneira simples com que as envolve, mas seu significado supera a diversão e o prazer. Nesse contexto, o trabalho com a leitura viabiliza utilizarmo-nos das mais diversas possibilidades para levar a leitura até as escolas de maneira diferenciada, estimulando e registrando de maneiras diversas, a vivência das crianças em interação com os livros e materiais afins. Desse modo, a observação e registro escrito, descritivo e reflexivo das atividades realizadas em torno da leitura diversificada na escola são o cerne do trabalho para desenvolver o hábito de ler cotidianamente. Assim, o contato entre crianças e livros sem intervenções dos professores nada mais realizará que o distanciamento, por isso, a mediação do professor será fundamental nessa construção de hábitos de leitura cotidiana. Não será por meio de preenchimento de fichas, exaustivos recontos e representações pictográficas das histórias ou a simples listagem de personagens, que as crianças e jovens desenvolverão o gosto pela leitura. É preciso encantar, ler antes de indicar, discutir também sem uma atividade escrita posterior, ler sem precisar decorar para encenar... Enfim... ler! Ler! E ler!
Registrar os resultados obtidos através de um processo contínuo de investigação é uma das muitas formas de manter vivas as conclusões retiradas durante esse processo. Não descartamos a possibilidade de realizar entrevistas, registro fotográfico e áudio-visual com as crianças, mas deve ser priorizado o registro das obras lidas pela turma e/ou individualmente, em cartazes, cadernos de anotações ou fichas. Salienta-se, ainda, que esses dados servem apenas para o registro simbólico das muitas leituras que serão feitas e não se deve constituir como instrumentos de avaliação. Nesse contexto, é indicado ao professor atuar periodicamente na realização das atividades para avaliar o impacto delas na formação dos leitores, considerando-se como importantes e indispensáveis a participação das crianças nas atividades envolvidas, sempre sem a imposição, mas pela conquista.

REFERÊNCIAS:
COELHO, N.N. Literatura Infantil: Teoria, Prática, Didática. São Paulo: Moderna, 2000.
CAGLIARI, L. C. Alfabetização & Lingüística. São Paulo: Scipione, 2001.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009




Recebi do meu amigo Avellar... Depois do sumiço do meu gato, na semana passada, passei a ter ainda mais certeza de que há animais que são parte doq ue é melhor de nossas vidas. O meu é...



ÓLEO DE FÍGADO DE BACALHAU PARA O CACHORRO


Um homem começou a dar doses maciças de óleo de
fígado de bacalhau a seu dobberman, porque
ouvira dizer que fazia bem aos cães. Todo dia,
segurava entre os joelhos a cabeça do cachorro,
que sempre reclamava, abria à força suas
mandíbulas e despejava-lhe o líquido goela abaixo.

Um dia o cachorro soltou-se e derramou o óleo no
chão. Então, para a grande surpresa do dono,
voltou para lamber a colher. Foi aí que o homem
descobriu que o cachorro não reclamava do óleo e
sim do método de ministrá-lo.


(do livro "O Enigma do Iluminado", Edições Loyola)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009



Há pouco li em meus e-mails mais uma agradável mensagem recebida do meu amigo Avellar, aquele que sempre nos manda algo interessante para pensarmos... Resolvi dividir com vcs, pois achei muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito legal! Beijos para todos!


UM OÁSIS NO DESERTO


Aconteceu no Rio, pelo que ouvi falar. Um garoto aparentando
ter uns 19 anos resolveu improvisar um pocket show usando
uma esquina da cidade como palco: a cada vez que o semáforo
fechava, ele se posicionava na frente dos carros e tocava
saxofone por um minuto. Aí o sinal abria e ele voltava para
a calçada. Não era malabarismo para garantir uns trocados.
Ele fez isso por... Sei lá, sugira você uma razão: farra,
vaidade, benemerência, esperança de cruzar com um produtor
musical? O que importa é que fez, e o curioso é que assim
que o sinal abria, os motoristas custavam a arrancar seus
carros, perdiam a pressa. Haviam deparado com um pequeno
oásis em meio ao caos.

Cheguei do Marrocos há pouco, como comentei na coluna de
quarta passada. Um país encantador, com uma biodiversidade
de tirar o fôlego. Cruzei a árida cordilheira Atlas,
percorri uma pequena trilha que já fez parte do Paris-Dacar
e cheguei a dormir uma noite num acampamento de tuaregues em
pleno deserto: tudo estupendo, mas seco. Ainda assim,
engolindo areia, fui surpreendida várias vezes por alguns
oásis que quebravam o jejum. Fazia-se uma curva na estrada e
de repente se vislumbrava um conjunto de palmeiras verdes,
tão verdes que pareciam pinceladas à mão. De onde brotavam,
de que solo fértil, de que estúdio cenográfico? Pareciam
miragens.

Aterrissei de volta ao Brasil e, entre as notícias de um
apagão inexplicável e de um escândalo mais inexplicável ainda
por causa de uma reles minissaia que gerou teses sociológicas,
preferi me ater a essa história do garoto saxofonista que
fazia shows de um minuto no agito das ruas, silenciando os
buzinaços com sua música. Pensei: também é um oásis.

O que não falta por aí são pessoas com vidas desérticas,
pensamentos viciados, gente presa em calabouços e respirando
por aparelhos, sem dedicar um minuto, um minutinho que seja
por dia a criar seu próprio oásis. Os nossos podem ser tão
numerosos como os que encontrei naquelas paisagens
marroquinas em tons de terracota, em que já não se distingue
o que é cor original ou desbotado, uma estética da solidão
que tem sua beleza e força, mas que clama por um pouco de
oxigênio.

As pessoas dizem que a tecnologia, que deveria servir para
agilizar o nosso trabalho e liberar mais tempo para o lazer,
está, ao contrário, produzindo ainda mais trabalho e mais
estresse. A culpa não é da tecnologia, que, pelo que sei,
ainda não tem cérebro, mas de seus usuários, que deveriam
pensar mais em vez de entrarem na paranóia de preencher cada
hora do seu dia com atividades produtivas, ignorando a
produtividade que também há num encontro entre amigos, num
cinema, numa caminhada, na audição de um disco, na meditação,
num final de semana longe da cidade, na leitura de um livro,
num passeio de bicicleta, num namoro, no desprezo à lógica e
no respeito aos acasos. Esses são os verdadeiros oásis, ao
contrário dos oásis fabricados, como, por exemplo,
restaurantes da moda onde não se come bem nem se ouve
ninguém.

O saxofonista no meio da rua nada mais fez do que ofertar a
nossa vida opaca um toque de verde.



Martha Medeiros, O Globo - 22/11/2009









Há pouco caí na tentação e saí de meus estudos pra ler uns e-mails... Recebi essa mensagem maravilhosa do meu amigo Avellar. Se ele é aquele que manda sempre mensagens pra um grupo de pessoas? Sim... É ele mesmo. Não sei onde ele acha tanta coisa boa... Resolvi dividir com vcs essa crônica maravilhosa!
Um ótimo restinho de Novembro pra todo mundo!

UM OÁSIS NO DESERTO


Aconteceu no Rio, pelo que ouvi falar. Um garoto aparentando
ter uns 19 anos resolveu improvisar um pocket show usando
uma esquina da cidade como palco: a cada vez que o semáforo
fechava, ele se posicionava na frente dos carros e tocava
saxofone por um minuto. Aí o sinal abria e ele voltava para
a calçada. Não era malabarismo para garantir uns trocados.
Ele fez isso por... Sei lá, sugira você uma razão: farra,
vaidade, benemerência, esperança de cruzar com um produtor
musical? O que importa é que fez, e o curioso é que assim
que o sinal abria, os motoristas custavam a arrancar seus
carros, perdiam a pressa. Haviam deparado com um pequeno
oásis em meio ao caos.

Cheguei do Marrocos há pouco, como comentei na coluna de
quarta passada. Um país encantador, com uma biodiversidade
de tirar o fôlego. Cruzei a árida cordilheira Atlas,
percorri uma pequena trilha que já fez parte do Paris-Dacar
e cheguei a dormir uma noite num acampamento de tuaregues em
pleno deserto: tudo estupendo, mas seco. Ainda assim,
engolindo areia, fui surpreendida várias vezes por alguns
oásis que quebravam o jejum. Fazia-se uma curva na estrada e
de repente se vislumbrava um conjunto de palmeiras verdes,
tão verdes que pareciam pinceladas à mão. De onde brotavam,
de que solo fértil, de que estúdio cenográfico? Pareciam
miragens.

Aterrissei de volta ao Brasil e, entre as notícias de um
apagão inexplicável e de um escândalo mais inexplicável ainda
por causa de uma reles minissaia que gerou teses sociológicas,
preferi me ater a essa história do garoto saxofonista que
fazia shows de um minuto no agito das ruas, silenciando os
buzinaços com sua música. Pensei: também é um oásis.

O que não falta por aí são pessoas com vidas desérticas,
pensamentos viciados, gente presa em calabouços e respirando
por aparelhos, sem dedicar um minuto, um minutinho que seja
por dia a criar seu próprio oásis. Os nossos podem ser tão
numerosos como os que encontrei naquelas paisagens
marroquinas em tons de terracota, em que já não se distingue
o que é cor original ou desbotado, uma estética da solidão
que tem sua beleza e força, mas que clama por um pouco de
oxigênio.

As pessoas dizem que a tecnologia, que deveria servir para
agilizar o nosso trabalho e liberar mais tempo para o lazer,
está, ao contrário, produzindo ainda mais trabalho e mais
estresse. A culpa não é da tecnologia, que, pelo que sei,
ainda não tem cérebro, mas de seus usuários, que deveriam
pensar mais em vez de entrarem na paranóia de preencher cada
hora do seu dia com atividades produtivas, ignorando a
produtividade que também há num encontro entre amigos, num
cinema, numa caminhada, na audição de um disco, na meditação,
num final de semana longe da cidade, na leitura de um livro,
num passeio de bicicleta, num namoro, no desprezo à lógica e
no respeito aos acasos. Esses são os verdadeiros oásis, ao
contrário dos oásis fabricados, como, por exemplo,
restaurantes da moda onde não se come bem nem se ouve
ninguém.

O saxofonista no meio da rua nada mais fez do que ofertar a
nossa vida opaca um toque de verde.



Martha Medeiros, O Globo - 22/11/2009



sábado, 21 de novembro de 2009


Esta semana superei desafios e fui sozinha para Uberlândia, interior de Minas Gerais. Minha missão? Apresentar um trabalho no Simpósio Nacional de Letras e Linguística, na Universidade Federal da cidade. Que lugar agradável! Lembrou-me Campina Grande... pelo clima, pela simpatia dos moradores, pela calma do lugar. Sentrei saudades!

Encontrei Cordelistas radicados em São Paulo e na cidade de Uberlândia, a quem deixo meu abraço e meus sinceros agradecimentos pelo carinho com o qual fui recebida. Aos companheiros de luta pelo cordel, Vamberto, Varneci, João e os demais, meu abraço e minha certeza de que onde tiver um nordestino, o cordel também estará, ainda que em remotas lembranças!

Aproveito o espaço para agradecer às minhas companheiras de grupo de estudo, Isabela Barros e a Profa. Mônica Nóbrega, ambas do Doutorado da UFPB - João Pessoa, que tanto contribuíram para o amadurecimento do meu trabalho.












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